A ESTETICA DA FOME NO PARALELO DO DESAJUSTE SOCIAL
Em 30.11.2022
Josue de Castro escreveu vário livros. dentre os quais eu arriscaria afirmar que o mais famoso, equivalendo dizer o mais seguindo entre academicos e jornalistas, em particular seja o intitulado: GEOGRAFIA DA FOME em 1960. Também escreveu em anos anteriores, 1952 o GEOPOLITICA DA FOME. Mas o seu livro principal foi escrito na década de 1930, intitulado: ALIMENTAÇÃO BRASILEIRA À LUZ DA GEOGRAFIA HUMANA. Digo principal pelo fato de que em tal momento de transição economica no Brasil ele afirma ter descoberto A FOME. A FOME BRASILEIRA. E com ele outros intelectuais brasileiros debatiam as origens do "atraso do pais". Não me lembro se durante toda a decada de 1980 na Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia haviam exemplares das obras castreana, e muito menos o classico GEOGRAFIA DA FOME; em 2008, conforme citado anteriormente, essa obra foi homenageada pelo Jornal a Tarde no seu Caderno Cultural, rendendo homenagem aos premios e traduções obtidas, destacando o Premio Nobel da Paz. ( Segundo o jornalista produtor da materia o livro GEOGRAFIA DA FOME foi publicado em 1946). Mas, ainda assim, a obra castreana que me sugere ter funcionado de argumento para o Cinema Novo na versão glauberiana tenha sido o livro: SETE PALMOS DE TERRA E UM CAIXÃO, editado pela Brasiliense em 1960. Glauber, guardando a relação estomacal ou fisiologica humana apresente uma simulação cinematográficas, para uma leitura mais afirmada do suposto faminto, castreano. Deus é o Diabo na Terra do Sol é uma.versao estetica folclorista dos movimentos sociais no campo. O que para Castro é uma.acao estomacalde Cangaceiros, e mesmo da Liga de Camponeneses na luta pela terra significava muitas vezes uma expressão d'A FOME no organismo humano, Glauber faz por suposto sua tradução imagética no Cinema Novo. A posição epistemologica de Josue de Castro na prospera invenção de politizar o estomago de povos pobres, negros e indigenas no Brasil, elegendo para tanto a categoria FOME, termina po ratificar na sua tese positivista o contexto cientifico que analisa a relação entre "superioridade" x "inferioridade" de povos brasileiros desde a concepção da "biologia" e do "meio", presente na ideologia cientifica de intelectuais pesquisadores do "atraso do pais" em finais do seculo XIX e inicio do seculo XX, conforme sinaliza Renato Ortiz, no livro CULTURA BRASILEIRA & IDENTIDADE NACIONAL de 1994. Valendo ressaltar que o conteudo do texto escrito glauberiano A estetica da fome, guarda um conceito estomacal ( atado no conceito cientifico biologico pautado no "meio" do inicio do século), trazendo muito da qualificação de uma estetica da fome castreana, - uma imagem de faminto como sinonimo de "inferioridade". Castro descobriu A FOME observando os marisqueiros catando caranguejo nos mangeus da cidade de Recife.
02/12/2022
A socióloga Nilce de Oliveira quando entao docente na Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia, contou-me que quando leu sobre a descoberta da fome por Josué de Castro, criou uma aversão ao consumo da iguaria gastronômica a partir de pratos culinários elaborados a partir do crustáceo caranguejo, que lhe custaria muito muito tempo voltar a consumi-las as quais sempre povoaram seu gosto culinário. Dito isto e voltando A ESTETICA DA FOME glauberiana desde sua obra prima Deus e o Diabo na Terra do Sol, longe de intentar seguer se aproximar da crítica ao método inaugurado pelo Conema Novo como se debruçam os pesquisadores Ismail Xavier e Ivana Bentes, o destaque ao trazê-lo aqui se funda na relação com o tema, ou com o argumento; e como o próprio Glauber ressalta, - o tema é o que menos importa; para Ele, a ênfase deve estar na sua construção cinematográfica: o método, a uma linguagem artística que privilegia a atuação teatral das personagens e seu sentido político. Assim esclarecido, o conteúdo discursivo no tema abordado no Deus e o Diabo... nós leva a questionar sobre o caráter misógino e machista dos protagonistas neste filme, como no retrato da cena de estupro, no ataque físico a mulher, e mesmo na prática de "magia negra" pelo lídere religioso representando São Sebastião. O cineasta compata a performance beatica ao.movimento religioso que levou a guerra de Canudos ao final do século XIX, e daí questionariamos: os comportamentos degenerados das lideranças protagonistas masculinas estariam presentes no movimento religioso em Canudos!? A sinalização a tais comportamentos degenerados e mesmo perversos nos leva agora ao meu encontro com o filme, contemporâneo ao Cinama Novo, o qual foi produzido pelo cineasta italiano Paolo Passolini no nome de : Desgaste Social.
30.11.2022 - O nome deste texto sera alterado para: A ESTETICA DA FOME NO PARALELO DO DESGASTE SOCIAL. A estetica da fome é um manifesto do cineasta brasileiro Glauber Rocha e Desgaste Social é o titulo do filme do cineasta italiano Passolini, ambos produzidos no ano de 1960.
ResponderExcluirEm Deus e o Diabo na Terra do Sol, a última cena citaria como uma metamorfose a todo o contexto anterior e ainda que no combate armado no poder de vida e morte ela impõe a sugestão da resistência política e da lucidez humana para além do estômago quando afirma: A TERRA É DO HOMEM, NAO É DE DEUS OU DO DIABO.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirA exclusão anterior foi devido a um equívoco do envio sem correção e antes de haver concluído. Pois dizia que a última cena é metarmorfosica pelo sentido de esvaziar a tensão e conferir um performance libertadora e alegre.
ExcluirO título da postagem foi atualizado , da palavra Desgaste para DESAJUSTE. O NOME DO FILME DE PIER PAOLO PASSOLINI É DESAJUSTE SOCIAL. ACCATTONE: DESAJISTE SOCIAL DE 1961
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