"O Leitor" numa saga d'O amor nos tempos do cólera
O Leitor numa saga d'O Amor nos Tempos do Cólera
Ao parodiar um dos escritores mais importante do século 20, o colombiano Gabriel Garcia Marques em seu romance O amor nos tempos do cólera (titulo em português), para escrever este artigo de opinião a partir da leitura do filme O Leitor, a intenção da autora não é desdobrar literalmente uma comparação das versões entre os personagens das distintas tramas amorosas. Sugere -se no entanto, que no caso d'O Leitor se pode imaginar um triângulo amoroso onde a terceira personagem, seja – o ato de ler, desde uma máxima freireana: A leitura de mundo precede a leitura da palavra escrita. Isto sugerido uma vez que O Leitor, um adolescente donzelo (“um menino”) deixa-se seduzir por uma linda mulher, feita, para viverem uma paixão erótica no tempo/espaço de um verão. Ele, o “menino”, um leitor contumaz acontece de iniciar a ler livros (palavra escrita) para ela, a mulher feita, - objeto da sua paixão juvenil, desde seus livros preferidos. E ainda que “o menino” sugira-lhe emprestar livros para que ela mesma os lesse, ela o dissuade dessa ideia afirmando gostar de escutá-lo. Na dinâmica das frequentes e regulares leituras a paixão física entre ambos ganha contornos de uma intimidade intelectual, ele como O Leitor e ela a ouvinte. Despertando dai um amor fugaz, contraditório. Não menos, ela foge dele sem deixar rastros ou a possibilidade para que ele a encontre. Na cidade aonde os dois habitavam. Passada mais de uma década os dois se reencontram numa situação inusitada: ele estudante de direito e ela no banco dos réus como assassina de 300 judias vitimadas pelo regime alemão nazista – a cólera, do início do século 20. Somente ali ele, o Leitor identifica que ela não sabe ler. E se o negou para ele no auge do romance fugaz, preferiu negar tal condição quando acusada de escrever e assinar um relatório falsificado, tomando pra si a responsabilidade dos crimes e preferindo a prisão perpétua a confessar sua condição analfabeta. Naquele momento, O Leitor poderia se colocar ao lado dela como testemunha, afirmando sua condição de analfabeta da palavra escrita, mas agora seria ele quem fugiria e se abdicou a enfrentar seus sentimentos por ela ainda que subjetivamente presentes. Mais outra década e ele se comove, grava os livros do primeiro encontro, do amor fugaz de verão, e os envia em cadência para ela na cárcere. Na prisão ela busca na biblioteca o livro lido por ele, e num esforço beligerante entre ela mesma, passa a estudar a palavra escrita simultaneamente com a escuta das palavras pronunciadas pelo menino O Leitor. Alcança o domínio da leitura e desdobra a escrita ainda com a sua literal pratica, escrevendo frases curtas para O Leitor. Conseguindo daí sua liberdade do cárcere perpetuo. Recupera sua estima amorosa. Quiçá passa do medo e do suposto sentimento de pecado e se anima a tê-lo novamente, - o seu eterno “menino”; a negativa dele neste sentido a impede de seguir vivendo. E se A importância do ato de ler que expressa os anseios as inquietações as reivindicações e os sonhos, como sugere Paulo Freire em seu livro A importância do ato de ler, e se somente se “a leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo” o mundo da protagonista, agora, uma idosa feita, foi por certo O Leitor, o qual a desiludiu pautando-se para assumir por ela tão somente uma atitude, uma relação de caráter filantrópico.
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