Quanto vale ou é por quilo? : Uma retratação imagética da atualização da cultura discursiva do constrangimento (“Humilhação Social”) d’Outro, neste particular: de Pessoas Negras

 

Quanto vale ou é por quilo? : Uma retratação imagética da atualização da cultura discursiva do constrangimento (“Humilhação Social”) d’Outro, neste particular: - Pessoas Negras

 

 

Iniciei a leitura do prefácio intitulado Invisibilidade Publica no livro de Fernando Braga da Costa 2004, e nele, identifiquei já no inicio dois conceitos: o de liberdade e de realidade isto quando Gonçalves Filho, ‘-.o prefaciador resenha o conto machadiano “O Caso da Vara” no texto do sistema escravocrata brasileiro. Indica por suposto o caráter político coletivo para o conceito de liberdade, se afastando de uma dada conquista do atendimento de necessidades individuais, a partir de circunstancias oportunistas, de interesses pessoais, visando unicamente a si próprio a despeito da posição oprimida e maltratada do Outro que o favorece para tal conquista. Desde uma recorrida a vários autores, a exemplo da filosofa Hannah Arendt, o autor vai estreitando a relação entre a política e a conceito de “Humilhação Social” esclarecendo-a na possibilidade de “... propor a humilhação como um fenômeno público que acarreta impedimento da ação e da palavra.”. [1] E neste contexto, poderia intuir que o conceito de realidade identificado na literatura de Machado de Assis, por Gonçalves Filho é constituído sob a égide, de um caráter legitimador, (e mesmo legalizador) neste caso, da ordem escravocrata[2], aonde ver o Outro, está possível, se e somente se - sob uma “Vara”[3]... Pilheriando a situação, diríamos: - afora isso, do impossível literal do uso da “Vara”[4], melhor não notar a presença do Outro, do africano escravizado. A categoria de Invisibilidade Publica se edifica na somatória do paralelo destes conceitos na possibilidade de estar demarcado pelo sofrimento político (um sinônimo no ressentimento pela humilhação social). Sofrimento político materializado no filme de Sergio Bianchi lançado em 2005[5]. Sobre o argumento deste documentário, - o conto machadiano “O caso da Vara” eu o li pela primeira vez para escrever esta resenha; e, inclui para leitura sob sugestão didática o conto de Machado de Assis: “Pai contra Mãe” ao lê-lo, percebi que já o conhecia, mas não na fonte original do autor, e sim em outro contexto. Lembrei-me se tratar do conteúdo literal aportado no filme documentário produzido pelo Diretor Sergio Bianchi em 2005 intitulado: Quanto Vale ou é por Quilo?[6] Classificado como “Drama”, atualiza a exploração humana no paralelo da herança escravocrata no Brasil, fazendo uma analogia, e atualizando sob uma ficção a ação de organismos não governamentais (ONGs) que exploram a invisibilidade publica do “pobre” para se promoverem financeiramente, e socialmente na razão filantrópica, usufruindo por suposto do sofrimento político, para aplicar sobre “o pobre” sua interdição (Uma Vara jurídica!?) Uma atualização que me remeteu a hipótese foucaultiana sobre A ordem do discurso quando ele trata do conceito de interdição[7]; o direito e o poder de quem fala e pode dizer sobre a necessidade do Outro, ademais de fazer pelo Outro o que há de melhor na razão do tamanho da invisibilidade, da exclusão desse Outro.  Não menos Quanto vale ou é por Quilo? Impõe um movimento ficcional metamorfósico do suposto “excluído” quando elenca protagonistas candidatos a verbalizarem uma nova ordem social do discurso sob a “narrativa dos invisíveis” pelos invisíveis. Oxalá!...

 

 

 



[1] GONÇALVES FILHO, José Moura. A invisibilidade Publica. In: COSTA, Fernando Braga da. Homens Invisíveis: relatos de uma humilhação Social. São Paulo: globo, 2004. Pg 40

[2] O Sistema escravocrata acontecia sob a averbação legal. Conforme atualiza com documentos jurídicos o filme: Quanto vale, ou é por quilo? https://pt.wikipedia.org/wiki/Quanto_Vale_ou_%C3%89_por_Quilo%3F

[4] Paradoxalmente, a palavra Vara é usada no âmbito jurídico: Vara da Infância e Juventude. Seria essa a ironia pautada na escritura machadiana?.

[6] O diretor inclusive esclarece e divulga a eleição de tal literatura para compor o roteiro do seu documentário.

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