A Fada do Repolho: “Fabulações” no comércio de crianças?

 

A Fada do Repolho: “Fabulações” no comércio de crianças?

 

Neste mês de julho/23, nas investidas de Plutão no signo de Aquário, mas ainda no meu meio do céu, em capricórnio, tive o prazer de ser apresentada ao cinema produzido por Alice Guy, no inicio do século 20. Eu muito feliz em poder desfrutar da presença de alguém com tanta força imagética, agora que estou em condição iniciática na temática de CINEMA. Isto dito considerando duas circunstâncias. Primeiro que, sequer imaginava a existência da atuação pioneira de uma mulher, e mesmo de mulheres na produção cinematográfica antes de 1926, com tanto capricho na produção artística, embora com tão pouca força midiática, entre nós, é dizer na atualidade.[1] Segundo, teria a minha insignificância cabedal nesta matéria, uma vez que, ainda que adore cinema, estou longe de estar entre qualquer pessoa cinéfila; é dizer, no sentido de reconhecer este ou aquela equipe de produtores cinematográficos, de falar sobre a emblemática posição de direção, e também dizer sobre o protagonismo desse ou daquela personagem. Vale ressaltar, eu ainda neste mês de julho também fui apresentada ao cineasta Dziga Vertov[2], o que me entusiasmou a apurar conceitos atuais de teorias cinematográficas, em particular na área documental em sua estreita relação com a ficção, como também, daí, dominar o conceito tão atual na discussão fílmica: FABULAÇÕES. Sem intelectualizar seu sentido na “critica” fílmica percebo que vou adorar aprofundá-lo, e é no exercício de tal percepção que denomino a leitura do filme de curta metragem produzido por Alice Guy no inicio do século 20 A Fada do Repolho desde a questão: “Fabulações” no comercio de crianças?... Dela pude conferir este curta, e também - O colchão epiléptico. Amei os dois, pelo tom comediante, e pelo sentido que sinaliza nas imagens do cotidiano citadino de forma pitoresca simulando a realidade na ficção, e nos dois, o protagonismo feminino de mulheres. Genial. Assisti A Fada do Repolho sem ler, em paralelo, os comentários sobre sua construção fílmica. Desde o assistido diria que a “Fada”, nada mais é do que uma comerciante de crianças, e para tanto, as têm depositado, figurativamente, nas camadas de folhas repolhos. Repolhos por sinal, gigantes. O que me levou a tal concepção foi o fato de um casal, (a personagem trajada como de homem parece ser também uma pessoa mulher) chegar á recepção da loja comercial da Fada, uma anti-sala aonde se comercializava bonecas e bonecos. O casal os apreciou, mas não decidiu por adquiri-los, sugestivo de uma dada preferência a uma criança, um bebe de carne e osso de verdade; sem deixá-los ir embora, A Fada, uma comerciante os leva para outro recinto, como que clandestino, e dali faz a mágica de descobrir as crianças, os bebes dentro dos repolhos, circunstanciando inclusive a desdita do casal em recusar uma criança negra. Por fim se agradam de uma delas, pagam e saem felizes e sorridentes. Um acontecimento fílmico que pode nos levar a refletir sobre as condições de pais para adoção de crianças no que elegem em particular crianças brancas recém nascidas.

Dito isto, fui buscar alguma informação na internet e me deparei com o comentário de Jéssica Frazão[3] vinculada ao site: DAS KINO (Estou de volta a Dziga Vertov!?) no seu comentário intitulado Um Olhar Crítico sobre o Cinema.   Das Kino... Uma sinalização a Dziga Vertov? Vai saber!...



[1] Quando fiz tal comentário, na data indicada de inicio, não havia assistido ao documentário E a Mulher criou o Cinema, lançado em 2016; e nele há o depoimento de Ally Acker, diretora de cinema, poetisa historiadora do cinema estadosunidenses,  constando do ano de 1985, quando ela se assusta ao identificar, somente então, tal procedência de gênero na formação da produção fílmica nos estados unidos.  https://www.youtube.com/watch?v=1a99vUxFefQ

[2] Dele, Dziga Vertov já havia falar sobre ele desde um áudio produzido no site, ou na pagina do canal OPERA MUNDI, em 10/07/2022, mas sequer apurei mesmo li, a retomei pois, um ano depois.  Tratava-se de uma homenagem sob o comentário do critico, comentarista FRANÇOIS ALBERA. https://operamundi.uol.com.br/cultura/75511/cine-olho-a-vida-real-no-cinema-sovietico-de-dziga-vertov

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UMA NEÓFITA RUIM DE CONVERSA

A Mulher de Luz Própria e o Homem com H

A Cidade e as Sensações Ancestrais de uma Pessoa Mestiça.