A corporação de nutricionistas e a pessoa de ANETE BERNARDES e de JOSELINA MARTINS

 MEMORIAS PESSOAIS EM FRAGMENTOS BIOGRÁFICOS


Fragmentos Biográficos descreve em tons memoriais passagens da vivência com as docentes professoras do curso de nutrição da universidade federal da Bahia: ANETE BERNARDES E JOSELINA MARTINS. Uma vivencia experimentada pela autora deste relato, período em que  abrangerá desde o período da formação em nutrição, até mesmo como da atuação enquanto profissional nutricionista. A escritura tem um objetivo principal tornar-se uma homenagem, um parabenizar a elas duas, quer seja pelo carinho que abrigamos no cotidiano acadêmico, quando o desfrutamos juntas, quer seja pelo imperativo profissional de respeito e responsabilidade exercida em nós como fruto desta convivência. Uma escrita pautada na emoção de retomá-las agora para até quem sabe um ajustes de contas na indagação : POR QUANTAS ANDA A PROFISSÃO DE NUTRICIONISTA, EM PARTICULAR NA BAHIA NO RESPECTIVO DAS AREAS DE ATUAÇÃO EM "CLINICA" E EM ADMINISTRAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO. Não menos o sentido da ênfase nos fragmentos biográficos destacará dos encontros e dos acontecimentos identificados a partir de temas pontuais para uma reflexão dos caminhos desta profissionalização. Daí, o conceito indicativo de corporação de nutricionistas, que abrangerá não somente o espaço da escolarização, mas também as passagens pelo Conselho Regional dessa profissão. 


A corporação de nutricionista nunca foi a praia, da autora. Mas como ela gosta de praia, achou que seria um passeio ( isto desde aqui que já esta se filiando a atuação laboral do seu desejo). Ainda que soubesse que seu ingresso no curso de nutrição foi uma prática de sabotagem a si mesmo. um tempo para o afirmar-se no banho de mar na praia de preferencia ( puro medo de si mesma!?). Qual nada! Se dobrou e até fez bonito para um comportar-se razoavelmente lúcida na responsabilidade do assumir-se como tal – nutricionista; "a profissão da moda", "do emprego fácil"; "formou empregou" isso no inicio dos anos de 1980. Lembra-se que a opção de realizar tal incursão profissional, paradoxalmente ao movimento do seu corpo, esteve inscrita na autoridade familiar. Durante o período escolar, da formação, estive frequentando a escola como se costumavam designar-se: uma turista; ademais de anarquista (conceito que então, ela sequer dominava; mas estava  certa se tratar de uma qualificação pejorativa como a se dizer: rebelde sem causa...). Como os dois qualitativos lhe agradavam (para a sugestão de uma relação intuitiva que nutria por deles), nem os tomava pra si, afinal sabia em soberba. que poderia concluir tal formação em 1 semestre. Um dito pirracento O que estava no desagrado velado era sua  hostilidade com o espaço da Escola de Nutrição. E nesta indumentária de "anarquista" chegou a propor para uma das docentes, a mais hostil para o seu convívio, que a deixasse sem frequentar as aulas e ela as cumpriria a risca todas as atividades elencadas; claro que não funcionou e prontamente ponderou: -“quantas faltas tenho direito!? Pois pode adiantar e colocá-las na caderneta”. E semestre a semestre foi levando adiante, no paralelo de uma dada condição migrante na cidade de Salvador. Como tal a leitura, a que mais apreciava esteve literalmente para acompanhar a gente de outras formações. uma vez certa do gosto pelo ato de estudar sofria com o caráter reprodutivo do conhecimento veiculado no espaço escolar. Uma vez formada em nutrição, os empregos aos montes eram oferecidos pelas então concessionarias de alimentação terceirizadas. O primeiro emprego foi na maternidade Tsylla Balbino contratada por uma concessionaria de alimentação, reconhecida como a que mais explorava os profissionais nutricionistas.... 

O encontro com a “Nutrição Clínica”


Durante a formação em nutrição um caminho plausível à inquietação, “a rebeldia sem causa”, e a afirmação de lugar, suas origens humildes, e radicalmente  sensíveis às desigualdades sociais no Brasil, seria por suposto o caminho da saúde pública em nutrição. Uma  aptidão para a reflexão, sugeria tal caminho, o da “política”, ou da reflexão sobre as Politicas de Alimentação e Nutrição no Brasil. Mas, não prosperou. Não consegui amadurecer a relação entre o que lia, nos conformes das atividades escolares do curso de nutrição, com o que escrevia e mesmo falava. Foi na abordagem do componente curricular "Dietoterapia" que a aquietou num lugar para um fluir com gosto na escrita. A presença da docente Anete Bernardes, fez pulsar uma perspectiva na atuação de nutricionista, e tratou de persegui-la pelo sentido fortemente ancestral ou em tons netunianos, cármicos desde a história de vida. Tanto na família materna quanto na paterna recebeu ensinamentos vinculados a conhecimentos tradicionais no cuidado á saúde e na cura de determinas enfermidades. Lembra-se que antes dos dez anos de idade, cuidava das chagas nas pernas do meu pai proveniente da diabetes e era ela mesma quem ia buscar literalmente no mato as ervas para fazer a infusão e banhar as chagas. A pratica pedagógica promovida sob caráter anetiana promovia autoestima, na medida em que operava a escuta distante de qualquer enunciado de hostilidade, Anete apontava seu dialogo com outras formas de conhecimento na abordagem dietoterápica. E retomava o dialogo desde o “paciente” para considerá-lo nos conhecimentos tradicionais. Isto devido em particular ao caráter pluralista na pedagogia nutricional anetiana; considerando a ordem fitoterápica, a homeopatia. Também se recorda da aversão de docentes na escola de nutrição à então popularidade, (uma moda!?), do início dos anos de 1980 entre nós: a “alimentação alternativa”, destacando ai a MACROBIÓTICA. A macrobiótica, uma perspectiva filosófica aonde o consumo de carnes de animais não teria espaço alimentar. Trazer tal acontecimento para o espaço da sala de aula no geral era motivo de risadas e qui qui qui. Anete Bernardes ao contrário escutava, estudava e considerava na conveniência pedagógica na condução de tratamentos na relação com a alimentação. E para quem frequentava tais espaços alternativos podia sentir-se completamente forasteiro ao autoritarismo didático na sala de aula, cabível para um adestramento escolar. Já nos anos de 1980 a Macrobiótica desaconselhava o consumo de leite de vaca e ponderava para seu consumo em forma de iogurte a base de fermentos biológicos. Também o consumo de açúcares. (Em particular na forma do comercializado como o branco cristalizado, este mais do que não aconselhável, está proibido para consumo macrobiótico). E desfrutei do privilegio de tê-la como professora no estagio supervisionado em "Dietoterapia" no ambiente hospitalar. Podendo ai enfatizar uma atuação inesquecível para o espelhamento com o discurso médico atual na nutrologia (médica). Em 1984. presenciou a referida docente trazer da sua casa um óleo de coco para conjugar o tratamento hepatopático e suprir as necessidades lipídicas de um paciente hospitalizado. Nisto para este século XXI se pode indicar por quantas anda a relação da corporação com o engajamento médico na especialidade da nutrologia? 


O encontro com a Administração dos Serviços de Alimentação e Nutrição.


O encontro com tal atividade aconteceu para quando atuava no HGE, estava para uma atuação que mesclasse a atividade técnica e a perspectiva investigativa abrangendo a partir de estudantes de nutrição na percepção de entraves que poderiam serem identificados e solucionados pela administração do serviço de nutrição hospitalar e dai o contato com a então Professora Joselina Martins que atuava na orientação de estágios nesta área da formação em nutrição.  Com ela estivemos também na administração do Conselho Regional de Nutricionistas o CRN5, em duas gestões totalizando quatro anos. Em todos os eventos na área de saúde e/ou que envolvesse a temática alimentar e nutricional, lá estava o CRN5 e Joselina e ela, a autora aqui, a tiracolo. O convívio com Joselina era de certa forma um porto seguro, frente a sua angustia com a condução e os caminhos profissionais traçados para a profissão de nutricionistas, seja na área da atuação clínica, seja na área de administração dos serviços de alimentação, em particular no trato das condições de trabalho. E o dialogo com os profissionais nutricionistas era a base da sua atuação. Na gestão no CRN5 a atividade de fiscalização atuava nesta perspectiva e em segundo plano estava o "enriquecimento" da instituição corporativa, em si.



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