Os devaneios: na luxúria, na esbórnia em Copabacana mon Amour... uma materialização de “a peste” artoudiana?
Os
devaneios: na luxúria, na esbórnia em Copabacana mon Amour... uma materialização
de “a peste” artoudiana?
Será que a
construção dramatúrgica do filme Copacabana mon Amour[1]
dialoga com a demanda instigante do escritor Antonin Artoud[2]
quando ele compara a ação teatral pulsante com “a peste”? Se sim ou se não, e
se se pode compará-la ou vê-la sob tal ótica, possa que no contexto do referido
filme, “a peste” artoudiana enquanto
uma manifestação orgânica-espiritual está tão letal, tão mortal que a exposição
de um único caso um único exemplar desta “enfermidade” possa ser considerado
como uma EPIDEMIA. E para tanto a atuação vertiginal (vertiginosa) da
protagonista, pois, se assume como uma voz da (na) multidão no paralelo das
experiências de autoritarismo tanto do Regime Militar, enquanto uma ação política
para um cumprimento de uma dada ordem, abordagem citadina, quanto daquelas (experiências
de autoritarismo) praticadas em regimes domésticos domiciliares. A protagonista
desfila majestosamente em vários espaços e realidades circunscritas no bairro de
Copacabana; um lugar já então famoso por abrigar uma diversidade de personagens
e personalidades do Brasil e do Mundo. Valendo destacar daí o seu guardião; o
guardião espiritual da protagonista: o seu curandeiro, aquele que confere a Ela
o estatuto mitológico de uma princesa callejera, (uma loura oxigena para
pessoas invejosas); uma vez vestida, supostamente, sob a égide terapêutica do
seu curandeiro Ela se apresenta durante toda a sua transe dramatúrgica com um
traje vermelho sangue, como se estivesse vestida à moda de uma criança conferindo-lhe
um aspecto físico de completamente liberta e à vontade em suas estripulias. Ao
mesmo tempo em que esboça convulsivamente seus devaneios de uma pessoa enquanto
criança abandonada e entregue à própria sorte, isto no paralelo da sua luxúria e
da sua esbórnia.
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