Ainda Estou Aqui - do livro ao filme

 

Ainda Estou Aqui - do livro ao filme

 

Qualquer pessoa, pode se perguntar como é do ponto de vista das emoções vivenciadas, o ato de assistir a um filme baseado em um livro, o qual foi lido anteriormente pela pessoa expectadora, e te-lo daí, frente às suas expectativas. Ou, mesmo, numa situação contrária, de assisti-lo, sem haver lido o livro base utilizado para a construção de tal roteiro fílmico. O caso agora tematiza a primeira situação que busca qualificar o significado do filme AINDA ESTOU AQUI produzido pelo renomado e conceituado cineasta Walter Salles, no ano de 2024; e não menos, tendo como protagonista, a fenomenal atriz Fernanda Torres, a qual o lega para o imperativo da sua divulgação mundial, remetendo-o a possibilidade de forte concorrente a prêmios no evento hollyudiano mais importante do mercado cinematográfico, o Oscar, e neste contexto de melhor atriz. Ainda assim, não se pode aqui se isentar da curiosidade sobre o que é para a alunada de escolas governamentais, num numero de mais de três mil adolescentes, assistirem ao referido filme Ainda Estou Aqui, baseado no livro do escritor Marcelo Paiva em 2015, e supostamente sem o haverem lido.  Nisto, e antes mesmo de partirmos para a leitura, antecipada ao filme, ler o livro/roteiro, escutamos sem apurar neste momento por quem, que seu roteiro protagonizava a figura da personagem mulher, a esposa daquele cuja trajetória demarca a saga dramática fílmica, tematizado na sua condição de haver desenvolvido a doença  Alzheimer.  Confessamos que estivemos muito curiosas com tal perspectiva, principalmente por questões pessoais. E identificar no livro o dito sobre o sentido familiar com a convivência da “matriarca” demente no contraponto da lucidez, já imaginamos que o filme iniciaria dali criando um movimento com a tortura ao qual a mesma fora submetida. E, talvez, tal expectativa tenha comprometido o nosso conceito do filme. Particularmente pela imagem final quando a protagonista, já bastante idosa, aos oitenta anos, se encontra na fase final da doença aonde somente ali se esclarece sua condição clinica terminal alzheimica. Vê-la em tal situação foi como se estivesse diante de uma pessoa derrotada, sucumbida ao seu próprio sofrimento. Ainda assim, sem reduzir o filme a nossa expectativa, na possibilidade de discutir questões do conservadorismo, do apego e o desdobramento no sofrimento pessoal no pressuposto da condição de formação clinica crônica alzheimica, impossível negar a importância emocional que vivenciamos quando no filme se dramatiza no recorte da família Paiva, as torturas e desrespeitos operados na trajetória histórica dos governos militares no Brasil a partir de 1964.

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